Sem Alckimin, setores do PSDB se aproximam de Bolsonaro para segundo turno

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Diante da dificuldade do ex-governador Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB nas eleições 2018, de avançar nas pesquisas de intenção de voto, setores do partido já atuam para se aproximar de Jair Bolsonaro e defendem o apoio ao candidato do PSL no segundo turno. 

Deputados e líderes do PSDB ouvidos pelo Estadão temem que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros quadros da legenda atuem para apoiar Fernando Haddad (PT) caso Alckmin não chegue à próxima fase da disputa presidencial.

Reservadamente, tucanos dizem que o PSDB deve enfrentar o pior racha de sua história e pode “implodir” se houver uma guerra entre a ala mais conservadora e liberal e os fundadores do partido. “Vou ser leal ao Geraldo até o último dia, mas, se ele não for para o segundo turno, sou anti-PT e vou encaminhar na bancada o apoio ao Bolsonaro”, disse ao Estado o deputado Nilson Leitão (MT), líder do PSDB na Câmara. “O PT nós já conhecemos e não podemos experimentar de novo”, concluiu o tucano. 

Uma das possibilidades ventiladas pela cúpula do partido é liberar os filiados no segundo turno se Alckmin não reagir nas pesquisas de intenção de voto.

Em um movimento que desafiou a direção do PSDB, um grupo de militantes do partido criou um grupo no Facebook chamado “Sou tucano e voto Bolsonaro”, que já conta com 6.986 integrantes. 

“O Geraldo fez gestos à esquerda e se aproximou do MST e do MTST. Ele não é um candidato viável. Nunca foi. Por isso, meu voto é para o Bolsonaro”, disse Caíque Mafra, criador e administrador do grupo na rede social. Filado ao PSDB, ele lidera uma corrente interna chamada “Liberdade Tucana”, que se apresenta como liberal e de direita. Mafra chegou a disputar a direção da juventude do PSDB no ano passado por outro grupo interno, o Conexão 45. 

O movimento pró-Bolsonaro no PSDB gerou reações. “O PSDB cometeu um erro lá atrás, que foi permitir a filiação pela internet e sem critérios mínimos. Entraram pessoas sem nenhum compromisso com a social-democracia e que se infiltraram no partido”, afirmou o sociólogo Fernando Guimarães, que é integrante do diretório nacional do PSDB e coordenador da corrente tucana Esquerda Para Valer (EPV). 

O grupo, que é ligado ao senador José Serra (SP) e ao ex-senador José Aníbal, vai pedir a expulsão de Mafra do partido. “Se algum tucano se posicionar pró-Bolsonaro, não tem outro caminho a não ser a expulsão”, disse Guimarães. 

Um dos fundadores do PSDB, o jurista José Gregori, ex -ministro da Justiça e titular da Secretaria Nacional de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique Cardoso, disse considerar um “equívoco” a aproximação de setores do PSDB com o presidenciável do PSL e afirmou que seu posicionamento sobre o assunto é “diametralmente” oposto.

Estratégia – O PSDB se apega aos números laterais das mais recentes pesquisas de intenção de voto para pregar que ainda é possível ocorrer uma virada que favoreça Alckmin na disputa ao Palácio do Planalto.

“É preciso olhar os outros números da campanha. A alta rejeição do Bolsonaro, os 28% que podem mudar de voto e as mulheres. Esses são fatores que podem virar a eleição de cabeça para baixo”, disse o deputado Silvio Torres (SP), tesoureiro do PSDB e um dos coordenadores da campanha tucana. A avaliação reservada da equipe do ex-governador é de que a estratégia mais agressiva contra Bolsonaro surtiu efeito. 

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