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›››A escritora
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D'Álvares
E a chuva dorme sobre o telhado do casebre da favela. A luz de lamparina clareia pobremente as folhas de caderno que Lília utiliza como rascunho. Os olhos da garota escritora enxergam horizontes, colinas, vidas, amores... e os últimos capítulos do seu primeiro livro estão sendo cuidadosamente manuscritos. E, de quando em quando, a escritora ouve a mãe chamar por ela. "Lília, deixa para escrever amanhã. Deve ser umas duas horas da madrugada!" No entanto, ela não perde o seu valioso tempo noturno. Pois durante o dia cuida dos irmãos mais novos e do casebre que ganhou da prefeitura, na última campanha eleitoral. Às vezes, o cansaço lhe atrapalha muito. A pobreza não é capaz de matar a arte, a intelectualidade, mas lhe furta o tempo e os recursos para desenvolver.
Concluindo o último capítulo de seu livro, Lília levanta-se da cadeira. Anda de um lado para o outro, sente-se grande dentro de tão pouco espaço. "Agora sou escritora. Sempre tive paixão pela literatura. Desde que iniciei o ensino médio, tive em mente que escreveria um livro", balbucia Lília andando com os rascunhos de seu livro. "Machado de Assis, Emily Brontë, Érico Veríssimo, Sartre, Cora Coralina... Nada pode tirar de mim a arte de escrever".
E os passos de Lília se apressam na mesma medida em que se apressam seus desejos pela publicação do livro. Ela vai folheando os manuscritos, como quem folheia risonha a página feliz da vida. Sua imaginação lhe transmite novamente as criações literárias de suas noites acordadas. Mas ela ainda não tomou contato com o lado material da confecção do livro. Sente tão grande prazer em ser escritora, que seu amor pela literatura ignora um possível entrave na publicação dos originais.
A ex-professora de literatura de Lívia a orienta sobre as dificuldades na edição de um livro ou outros frutos artísticos como a música, as artes plásticas. "O livro é bom! - afirma a professora - mas fique sabendo que a coisa bela, artística, você já fez. Agora é a parte espinhosa que vem pela frente. Pois nosso país não tem muita tradição de leitura. É obvio que isso vem mudando. Mas não é fácil colocar uma obra no mercado". Lília quis saber se as editoras não se interessariam pelos originais. "Algumas - prosseguiu a professora - até que dão força, mas você passa quase que por um concurso, porque são centenas tentando um espaço no meio editorial. Mas não desista. As coisas gratificantes são as mais difíceis".
"A empresa está imbuída em outros investimentos". Foi o que a escritora ouviu do diretor da primeira empresa que visitou em busca dos patrocínios. "Publicar livros não dá retorno publicitário", comentou outro. Lília agora já estava ciente de que nada lhe seria fácil. E ficou sabendo, através dos empresários, que eles são muito perseguidos. "É só você abrir uma porta, escritora, que o povo pensa que você tem dinheiro. Aí, aparece o candidato a cargos públicos, e vêm os clubes de futebol, e vêm as creches, e vêm as igrejas, e vêm os colégios, e vêm os ciclistas e vem o governo para nos 'arrancar o olho da cara...'"
Deitada, em casa, Lília vai se lembrando das frases que ouviu durante a busca de dinheiro para a publicação do seu romance. "A empresa está imbuída em outros investimentos"; "patrocínios de livros não dão retorno publicitário". Enquanto ela se mantém absorta, na cama, vê seus manuscritos na mesinha e uma aranha andando sobre as suas letras. No primeiro instante, ela pensa em matá-la; mas se contém. "Talvez seja você, minha aranha, a leitora mais assídua do meu romance. Porque ninguém está sendo capaz de entender minhas noites de literatura, assim como você. Nós temos semelhanças, minha amiga: você tece sua história com a arte da teia, eu com a arte da palavra. Mas, no final, nossas artes são comuns. Elas tecem a complexidade do existir e não existir numa elegância quase gratuita".
A escritora não se deixa levar pelo desânimo. Procura endereço de várias editoras do país e envia cópias dos originais do livro. Ainda procura a Secretaria de Cultura e, após longas tentativas, consegue falar com o secretário. Mas este lhe avisa que há meses a Secretaria de Cultura não recebe repasses de verba, pois a prefeitura está direcionando esforços na construção de "obras prioritárias."
Certo dia, o carteiro chega à casa de Lília. Traz um envelope lacrado, com o timbre de uma grande editora. A escritora não acredita no que vê e pega. Treme. Entra para o interior do barraco, vai até a mesinha do quarto, retira a tesoura da gaveta, corta o lacre e lê:
"Recebemos um original do seu livro. Mas informamos que no momento não temos interesse em publicá-lo, pois ele não se enquadra em nossa linha editorial." O editor
Foi mais um susto para a escritora. Ela estava pensando que aquela correspondência mudaria os rumos do seu livro. Mas não: ali estava uma mensagem seca, certamente enviada para centenas de escritores por esse Brasil afora. E, durante vários meses, a escritora recebeu diversas mensagens de editoras, quase todas com a mesma mensagem: "...informamos que no momento..."
Ainda lhe resta o prefeito. Lília está esperançosa, porque viu uma notícia na TV informando que a prefeitura tinha liberado mais de cem mil reais para o esporte. Foi lá. No entanto, teve que agendar. Ninguém pode chegar e falar diretamente com o chefe do executivo. Deve haver uma certa ordem por assuntos e importância deles. Para Lília, ficou marcado para quinze dias depois. Chega o dia, ela se prepara e enfrenta o prefeito. Este afirma que o secretário de Cultura é responsável por assuntos de publicações, que isso não é com ele, pois cada secretário estava encarregado de sua pasta, justamente para tomar pé de todos os assuntos da cidade e resolvê-los. Não. Este negócio de livro é com o secretário. Lília argumenta que o secretário não dispõe de verbas... Então o prefeito diz que, sendo assim, nada pode fazer. Infelizmente nada pode fazer.
A escritora sai e na rua chove torrencialmente. Joga o original num tambor de lixo. Mas um senhor de gravata e guarda-chuva grande aproxima-se e quer saber por que motivo ela chora. Ela mostra para o fundo do tambor. Ele lê: "Os turistas caminham pelo desejo de caminhar e apreciar as belezas do mundo. Ao passo que um escritor escreve pelo simples fato de escrever e apreciar as nuances vivas da literatura". Esse homem olha para Lília e pergunta em qual colégio ela estudou. Ela informa. Ele pega os rascunhos e vai embora.
Ao cabo de um ano, Lília está assentada na mesma cadeira, onde escrevera o primeiro livro. Já se encontra arrependida de tê-lo jogado fora no tambor. Não lhe interessava se ia ou não publicar alguma coisa. Mas podia ir arquivando tudo, se algum dia tivesse condições, era só escolher a melhor. E na rua enlameada de sua casa, em que a terra cede em rasgões, quando algum carro passa, aciona-se uma buzina. De dentro de um auto importado desce um senhor, com um embrulho nas mãos. Entrega-o à escritora.
A chuva volta a dormir sobre o telhado, e a escritora lê o seu primeiro livro luxuosamente impresso. |
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POESIAS |
Fogão de lenha
Osvaldo Ferreira de Morais
I
Velho amigo, você está em minha lembrança
Desde os tempos de criança
Que os anos devorou
Encrustado na cozinha da fazenda
Ao lado bastante lenha
Que a fumaça do tempo ofuscou
II
Fogão de lenha é uma peça esquecida
Que minha velha mãe querida
Tantos anos a fio usou
Ao lado dele quente e saborosa comida
Todos os dias de nossa vida
Muito tempo nos alimentou
III
Passaram os anos e ainda me recordo
Ao lado um grande monjolo
Que papai lapidou
Também na frente a varanda
Tamboeiro, cambão e canga
E nosso velho carro de boi
IV
Abandonado hoje se encontra o sítio
O nosso recanto bendito
Pois o papai viajou
Não é de vê que também o fogão de lenha
Que mamãe tinha tanto empenho
Com sua viagem desmoronou
V
Hoje, só restam saudades e recordação
Lembranças do tempo curto que se foi comovido e tristonho fica o coração
Acabou-se o sítio, o fogão de lenha e o carro de boi
Papai e mamãe se despediram do mundo
Só o silêncio da natureza restou
O golpe rasteiro e profundo
O vento suave e sonoro aplainou...
Adeus |
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Sonhos impossíveis
Moacir S. Papacosta
Sonhos impossíveis transformamos em realidade
A tristeza que rondava nossos corações a fizemos desaparecer,
Em nossas vidas sofridas jorrou a mais cristalina felicidade,
Amor imenso ladeado de planos mil, nos fez renascer...
Passado ingrato! Em ti sepultamos as nossas desesperanças
Em cada beijo e abraço vislumbramos os encantos desta paixão,
A tempestade de outrora, de repente resultou em bonança,
Meu futuro enlaçou-se ao seu... Duas vidas num só coração...
Escreveremos uma bela história sem mágoas e ressentimentos
Caminharemos lado a lado até quando Deus
quiser,
Serei o homem a permanecer noite e dia em seu pensamento,
Em contrapartida, eleger-te-ei a minha eterna mulher...
Saudade e solidão são palavras que do nosso dicionário riscaremos
Juntos partilharemos das maravilhas que a vida tem a nos oferecer,
Pelos caminhos da Paz e da concórdia, de mãos dadas trilharemos,
Mostrando que, para realizar sonhos impossíveis, basta querer...
Erguendo a taça da alegria, deglutindo fluídos positivos, brindaremos a constituição deste novo relacionamento...
E, por unanimidade, em todos os cantos da cidade não vai dar ninguém a não ser: eu e você! |
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| ›››SOCIAL
ESPECIAL |
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FESTA EM DOBRO - No dia 7 de dezembro ocorreu uma simples solenidade no quartel do 15º BPM, em Jataí, em comemoração ao aniversário do tenente-coronel Ednilson Nicolau dos Santos (E), comandante do 14º CRPM. O major Moacir Duarte da Silva, subcomandante do 15º BPM (na foto ao lado do aniversariante), ao fazer uso da palavra, disse que era desejo de todos os oficiais e praças do batalhão prestar essa justa homenagem àquele que, além de líder e comandante competente, é portador de uma série de predicativos militares, conhecido por ser justo e amigo de todos. Em seguida fez a entrega de um presente. Já no dia 11 foi a vez do próprio major Moacir fazer aniversário e ser presenteado. |

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Recentemente mais uma turma da English School celebrou sua formatura (book 5). Parabéns a todos |
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| Na foto aparece à esquerda Mariana Paniago, 23, universitária de pedagogia da UFG, ao lado de Andrea Coelho, 35, biomédica: amizade, talento e competência |

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Na foto aparece uma das famílias tradicionais de Jataí, a família Soares e Gonçalves. Este que vos escreve e uma outra irmã não saíram na foto porque naquele tempo ainda não haviam nascido.
Este texto tem como objetivo colaborar com a discussão e reflexão sobre a interação da família com a escola, sem ter a pretensão de esgotar o assunto. Aborda questões como o significado do conceito de família, sua função social e os modelos nos quais se apresentam nos diferentes momentos da história. Mudanças ocorridas no âmbito socioeconômico e político, nos últimos 20 anos, têm um rebatimento importante sobre a família brasileira. Na década de 90, temos a aprovação de leis nacionais e elaboração de diretrizes do Ministério da Educação, cujos conteúdos evidenciam a importância da participação da família na escola. Pontuamos alguns aspectos que influenciam na participação da família na escola e o significado de participação.
Será possível planejar e executar o processo de educação escolar independente da questão familiar? Como trazer a família para participar do processo ensino-aprendizagem na escola? O que fazer quando a família não colabora? E quando a escola não colabora?
Essas questões merecem um tratamento cuidadoso, que leve em conta aspectos sociais, culturais e legais, que não serão aqui abordados, sem que possamos aprofundá-las.
Ao longo da história brasileira a família veio passando por transformações importantes que relacionam-se com o contexto socioeconômico-político do país. No Brasil-Colônia, marcado pelo trabalho escravo e pela produção rural para a exportação, identificamos um modelo de família tradicional, extensa e patriarcal; onde os casamentos baseavam-se em interesses econômicos, que à mulher, era destinada a castidade, a fidelidade e a subserviência. Aos filhos, considerados extensão do patrimônio do patriarca, ao nascer dificilmente experimentavam o sabor do aconchego e da proteção materna, pois eram amamentados e cuidados pelas amas de leite.
A partir das últimas décadas do século XIX, identifica-se um novo modelo de família. A proclamação da República, o fim do trabalho escravo, as novas práticas de sociabilidade com o início do processo de industrialização, urbanização e modernização do país constituem terreno fértil para a proliferação do modelo de família nuclear burguesa, originário da Europa. Trata-se de uma família constituída por pai, mães e poucos filhos. O homem continua detentor da autoridade e "rei" do espaço público; enquanto a mulher assume uma nova posição: "rainha do lar", "rainha do espaço privado da casa". Desde cedo, a menina é educada para desempenhar seu papel de mãe e esposa, zelar pela educação dos filhos e pelos cuidados com o lar.
No âmbito legal, a Constituição Brasileira de 1988, aborda a questão da família nos artigos 5º, 7º, 201, 208 e 226 a 230. Trazendo algumas inovações (artigo 226) como um novo conceito de família: união estável entre o homem e a mulher (§ 3º) e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (§ 4º). E ainda reconhece que: os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher (§ 5º).
Nos últimos 20 anos, várias mudanças ocorridas no plano sociopolítico-econômico relacionadas ao processo de globalização da economia capitalista vem interferindo na dinâmica e estrutura familiar e possibilitando mudanças em seu padrão tradicional de organização.
E não podemos deixar de registrar a recente iniciativa do MEC que instituiu a data de 24 de abril com o Dia Nacional da Família na Escola. Neste, todas as escolas deveriam convidar os familiares dos alunos para participar de suas atividades educativas, pois conforme declaração do ex-ministro Paulo Renato Souza, "quando os pais se envolvem na educação dos filhos, eles aprendem mais".
André Massamba |
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| Reuniram dia 8 de dezembro, na residência da aniversariante, amiguinhos e amiguinhas de ALANA que cantaram os parabéns pra você, quando ela completava mais um aninho de vida. Ela é filha do casal Elke e Alan |

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| Uma história de amor por Jataí
A comunidade jataiense assistiu através da TV Jataí, no último dia 8 de dezembro, a uma apresentação inédita de um importante documentário histórico, que retratou com detalhes a trajetória política de um jataiense ilustre e imortal que dedicou totalmente sua vida em prol da família de Jataí. "Uma história de amor por Jataí: a vida de MAURO BENTO", o documentário histórico exclusivo foi transmitido em dois horários.
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O convite partiu de seu filho, Mauro Antônio Bento Filho (foto), que informou que a produtora já encerrou as edições e que se prepara para lançar o DVD. Ele disse ainda que este histórico documentário também já está sendo vendido separadamente para aqueles que se interessarem em uma cópia exclusiva, inclusive aos colecionadores que queiram adquirir cópias para seus arquivos para os anais da história. Contato direto com a produtora: peça pelo título UMA HISTÓRIA DE AMOR POR JATAÍ: A VIDA DE MAURO BENTO. Ello Produtora, falar com Nuremberg. Fone 8419-8581.
André Massamba |
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